O Botafogo e o Lyon estão em processo de ruptura total, apesar de ainda pertencerem formalmente à Eagle Football. Na prática, a influência de John Textor no clube francês já é nula, enquanto ele segue firme no comando do Alvinegro. Essa separação marca uma nova fase para o Glorioso, com impactos significativos na sua estratégia de mercado e gestão.
A nova estrutura de Textor e o fim dos laços com a Lyon
John Textor está avançando na criação de uma nova empresa sediada nas Ilhas Cayman. Esta nova entidade será a “compradora” e administradora do Botafogo, do RWD Molenbeek (Bélgica) e do FC Florida (projeto universitário de Textor nos Estados Unidos). Embora a separação formal com o Lyon ainda dependa de processos, o movimento já está em curso.
A urgência dessa reestruturação ficou evidente na última quinta-feira, quando representantes da Ares Management e Michele Kang, a nova presidente do Lyon, tentaram remover Textor do comando do Botafogo. No entanto, a ação foi frustrada pela mobilização e apoio dos funcionários do clube carioca. A Ares havia emprestado dinheiro para Textor adquirir o Lyon, e Kang assumiu recentemente a liderança do OL.
Textor, por sua vez, já está se desarticulando do Lyon. A expectativa é de uma disputa judicial na França entre as duas partes, que, por enquanto, ainda são sócias na Eagle Football.
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Autonomia alvinegra
Inicialmente, a mudança não é vista como uma perda significativa pela cúpula do Botafogo. Nos primeiros anos da SAF, a conexão com o Lyon foi crucial para atrair jogadores de alto nível, como Luiz Henrique e Almada, que chegaram em 2024 e foram peças-chave nas conquistas da Libertadores e do Brasileirão. O contrato de ambos previa possíveis transferências futuras ou uma ponte facilitada para o clube francês. Luiz Henrique, por exemplo, foi para o Zenit, na Rússia, já desligado da Eagle Football, enquanto Almada jogou por seis meses no OL antes de ser anunciado pelo Atlético de Madrid.
Contudo, os dirigentes alvinegros avaliam que o status do Botafogo no mercado evoluiu consideravelmente após os títulos do ano passado e a participação na Copa do Mundo de Clubes. Essa ascensão no cenário global confere confiança à equipe para atrair novos jogadores de peso, mesmo sem a possibilidade de futuras transferências para o Lyon.
Um exemplo disso é a contratação do volante Danilo. O jogador chegou a negociar com o Lyon, mas Michele Kang não prosseguiu com a negociação devido a restrições orçamentárias impostas pelo acordo com a DNCG (órgão financeiro do futebol francês) para garantir a permanência da equipe na primeira divisão. Em um novo cenário de rompimento, Textor reiniciou as conversas diretamente com o atleta e fechou a contratação para o Botafogo, com o técnico Davide Ancelotti desempenhando um papel fundamental para convencer Danilo a aceitar o projeto.
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Aspectos financeiros e visibilidade
Em termos financeiros, grande parte dos pagamentos por transferências é diluída em parcelas ao longo de vários anos. Há, inclusive, uma reclamação do Atlanta United junto à FIFA, alegando que o Botafogo ainda não quitou valores referentes à contratação de Thiago Almada – a venda do meia ao Alvinegro por US$ 21 milhões ocorreu há um ano. O clube reconhece a dívida, mas questiona a forma de cobrança.

A previsão é que as receitas de 2025 ultrapassem a marca de R$ 1 bilhão, impulsionadas pela participação na Copa do Mundo de Clubes. Além do alívio financeiro, a maior visibilidade e o status internacional são argumentos fortes para o Botafogo se desvincular do Lyon e trilhar seu próprio caminho, consolidando-se como uma potência independente no futebol mundial.


