Os últimos dias foram de intensa movimentação nos bastidores do Botafogo, com duas cartas cruciais desempenhando um papel fundamental para assegurar a permanência de John Textor no comando do clube. Acionistas da Eagle Football, empresa fundada pelo próprio Textor, orquestraram um movimento para destituí-lo da liderança de todas as equipes da rede, incluindo o Alvinegro carioca. No entanto, a iniciativa esbarrou no forte apoio demonstrado ao empresário americano, tanto pela diretoria da SAF quanto pelo lado associativo do Botafogo.
Entenda a manobra para afastar Textor
Ameaçado de fato de perder o cargo, John Textor enfrentou a repercussão de um empréstimo concedido em 2022 pelo fundo Ares Management. Na ocasião, o fundo emprestou dinheiro ao americano para a aquisição do Lyon, recebendo, entre outras garantias, ações do Botafogo.
Com o empréstimo ainda não quitado, os gestores do fundo de investimentos enviaram um documento na última quinta-feira, sugerindo que Textor apresentasse uma proposta para recomprar as ações do Alvinegro que pertencem à Ares. A condição imposta era que, se a proposta fosse aceita, Textor deveria se afastar por 30 dias do Botafogo. A justificativa do fundo era que o americano não poderia gerir o futebol alvinegro enquanto estivesse em negociação para adquirir o controle do clube de outra entidade.
A diretoria da SAF do Botafogo interpretou o documento da Ares como uma clara tentativa de remover Textor do poder e substituí-lo por alguém possivelmente ligado ao fundo. A mudança de comando no Lyon, com a chegada de Michele Kang em 30 de junho, havia gerado a expectativa, prometida a órgãos franceses, de uma ruptura total na relação com John Textor.
Articulação pela permanência
Diante desse cenário, duas frentes se uniram para garantir que o executivo permanecesse no comando: o lado associativo, liderado pelo presidente João Paulo Magalhães, e a diretoria da SAF, com ações coordenadas por Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva, e Thairo Arruda, CEO.
A carta dos funcionários da SAF, revelada com exclusividade pelo ge, foi enviada na madrugada de sexta-feira. Diante da iminente saída de Textor, Alessandro Brito comunicou em um grupo interno que deixaria o clube caso o empresário fosse afastado. A mensagem ecoou e obteve a concordância de outros membros da diretoria, culminando na ideia da carta. Thairo Arruda se encarregou de coletar as assinaturas e redigir o conteúdo, que foi prontamente enviado à Eagle Football.
Pelo lado do clube associativo, o presidente João Paulo Magalhães, em conjunto com André Silva (VP) e Durcesio Mello (ex-presidente), realizaram uma chamada de vídeo para consultar os contratos de assinatura da SAF, datados de 2022. João Paulo enviou detalhes contratuais que atestavam a impossibilidade de Textor deixar o comando sem o aval do associativo. Além disso, destacou que qualquer tentativa de alteração no controle da Eagle Football que implicasse uma mudança na cadeira principal da SAF alvinegra deveria ser submetida à votação do Conselho Deliberativo.
Páginas do contrato da SAF, assinado por Textor e Durcesio à época, foram anexadas, juntamente com novas assinaturas coletadas na quinta-feira, reafirmando o apoio incondicional ao americano. O posicionamento do clube social é claro: apoio total a John Textor. João Paulo Magalhães, que assumiu a presidência do Botafogo em janeiro, segue a mesma linha de Durcesio Mello, um dos mais importantes aliados de Textor nos bastidores do clube nos últimos anos.
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