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Botafogo busca identidade de Ancelotti: Veja as análises

Alvinegro supera Sport com destaques como Cuiabano e Montoro, mas mostra oscilações em jogo marcado por desfalque e adaptação tática.

Davide Ancelotti em Sport x Botafogo — Foto: Vitor Silva/BFR
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O Botafogo reencontrou o caminho das vitórias fora de casa, um alívio após um início de temporada que gerava incômodo. O Glorioso venceu o Sport por 1 a 0, na Ilha do Retiro, neste domingo, em partida válida pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol decisivo, marcado por Cuiabano nos acréscimos, garantiu os três pontos e reforçou o papel do jogador como solução individual em momentos cruciais, repetindo o feito de outras partidas importantes.

Apesar de enfrentar o então lanterna da competição, um time pressionado por sua torcida, o Alvinegro viu o adversário criar chances e apresentar números de finalizações muito semelhantes: 12 dos pernambucanos contra 13 dos cariocas.

Desafios e destaques individuais em campo

A discrepância entre os momentos dos dois clubes – um em crise e outro em ascensão sob novo comando – não se refletiu totalmente em campo. O Botafogo, no entanto, enfrentou dificuldades na montagem da equipe, lidando com desfalques importantes. No primeiro jogo sem Gregore, vendido ao Al-Rayyan, seu substituto imediato, Allan, ficou de fora por dores musculares, assim como o camisa 10 Savarino.

A escalação inicial do Botafogo para a partida foi: John; Vitinho, Kaio Fernando, Barboza e Alex Telles; Marlon Freitas e Newton; Artur, Joaquín Correa e Álvaro Montoro; Arthur Cabral.

Era de se esperar que a superioridade individual do Botafogo se traduzisse em uma partida mais tranquila, mas a realidade foi outra. A readaptação ao esquema de Davide Ancelotti, que prioriza um futebol vertical e ofensivo, é um dos fatores que explicam as oscilações. Nesse processo, Álvaro Montoro se destacou como o “cérebro” da equipe, criando as principais jogadas e se consolidando como um forte candidato à titularidade.

Sport x Botafogo, Ilha do Retiro, Série A, Brasileiro — Foto: Rafael Vieira/AGIF

Por outro lado, Joaquín Correa teve sua oportunidade, mas não conseguiu aproveitar plenamente. Sua única boa participação foi após um passe em profundidade de Montoro, resultando em um drible e um chute defendido pelo goleiro Gabriel no primeiro tempo.

Vulnerabilidade e busca por equilíbrio

Uma das vulnerabilidades apresentadas pelo Alvinegro foi a permissão de chegadas perigosas do Sport pelo alto, com pelo menos quatro chances que quase terminaram em gol, especialmente com o zagueiro Rafael Thyere. Apesar da boa atuação dos zagueiros Kaio e Barboza, o “tema de casa” para os próximos confrontos é claro: ajustar a defesa aérea.

O volume ofensivo do Botafogo não atingiu o mesmo patamar da partida anterior contra o Vitória (onde o time finalizou mais de 20 vezes). No entanto, a “cara” de Davide Ancelotti começa a aparecer, mesmo que tecnicamente o jogo tenha deixado a desejar, em parte devido às condições do gramado, prejudicado pela chuva.

Outra mudança tática significativa foi a parceria entre os volantes Marlon Freitas e o jovem Newton. Contrariando as expectativas, Ancelotti posicionou o capitão na contenção e deu mais liberdade a Newton como segundo volante. Essa opção deixou Marlon Freitas mais discreto na criação, focado em combater os contra-ataques do Sport. Newton, por sua vez, teve mais liberdade, auxiliando Vitinho pela direita e arriscando em cruzamentos e chutes a gol, mostrando potencial a ser lapidado.

No segundo tempo, o jogo se equilibrou. Entradas de jogadores como Santi Rodríguez e Nathan Fernandes trouxeram novo fôlego. Nathan, inclusive, deu a assistência para Cuiabano, a estrela da noite, que driblou dois marcadores e finalizou no canto para garantir a vitória aos 45 minutos do segundo tempo.

Uma nova identidade em construção

Em síntese, o Botafogo é um time em clara construção de uma nova identidade sob o comando de Davide Ancelotti. A equipe prioriza o ataque, mas sem abrir mão da segurança defensiva, apesar das brechas pelo alto. O Sport, por sua vez, investiu no desespero e na vontade de reagir diante de sua torcida, com Derik como principal arma.

Essa nova identidade exigirá tempo e repetição nos treinos para ajustar as peças, consolidar a ideia de jogo e superar as dificuldades de um calendário intenso, que pode gerar novas lesões, como as observadas neste duelo. A boa notícia é o reencontro com as vitórias fora de casa, somando três consecutivas no Brasileirão, contra Santos, Vasco e, agora, Sport.

Jogadores do Botafogo comemora gol do Botafogo contra o Sport — Foto: Marlon Costa/AGIF

A primeira semana cheia de treinos com Davide Ancelotti será fundamental para o Botafogo. O próximo desafio será contra o Corinthians, uma equipe que tende a permitir um jogo mais aberto, o que pode favorecer a consolidação da nova “cara” prometida pelo treinador. O duelo será neste sábado, 26 de julho, às 18h30, no Nilton Santos.


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Escrito por Júlia Lopes

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