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Textor explica demissão de Renato Paiva: “Palmeiras não é PSG”

Proprietário da SAF detalha razões da saída do português após eliminação no Mundial de Clubes.

Renato Paiva e Textor no Nilton Santos — Foto: Vitor Silva/Botafogo
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A passagem de Renato Paiva pelo comando técnico do Botafogo chegou ao fim, e o motivo, segundo John Textor, dono da SAF alvinegra, foi uma “quebra de princípios”. A demissão ocorreu após a eliminação da equipe para o Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes, no mês passado, um revés que contrastou com a vitória por 1 a 0 sobre o PSG, campeão da Champions League, apenas dez dias antes.

Renato Paiva deixa o gramado depois da derrota do Botafogo para o Palmeiras — Foto: Caean Couto/Reuters

A contradição tática e o “Botafogo Way”

Em participação no programa “TalkSport”, da Inglaterra, Textor não poupou palavras ao explicar sua decisão:

“Por que demiti Renato Paiva depois de ele vencer o PSG? Ele quebrou seus próprios princípios, não seguiu o plano. Ele é um treinador posicional, muito bom em educar os jogadores, e os torcedores ficaram irritados com a forma como jogamos. Deveríamos ter vencido Atlético de Madrid e Palmeiras, somos melhores do que o Palmeiras. Ele quebrou os princípios dele”, afirmou o americano.

A irritação de Textor com a postura do time contra o Palmeiras, já revelada pelo ge em reportagem de bastidores, foi um ponto crucial. O empresário fez um discurso sobre o “Botafogo Way”, o estilo de jogo ofensivo e propositivo que ele preza, no almoço com os jogadores após a derrota, e a demissão do português veio no dia seguinte.

“Perguntei a ele qual foi o melhor jogo da sua carreira e ele respondeu PSG. Depois, perguntei qual foi o melhor jogo da minha carreira, e eu disse PSG. Eu disse que aqui (dia do jogo) não era o PSG, era o Palmeiras. Palmeiras não é o PSG. ‘É hora de jogar futebol, vão lá e acabe com eles’. O que aconteceu? Ficamos recuados e vimos o adversário avançar. Em 10 jogos, ele estava ficando cada vez mais defensivo e, quando você quebra os seus princípios, você tem que sair”, completou Textor, enfatizando a mudança de abordagem que observou no trabalho de Paiva.

Influência externa e a visão de John Textor

Textor analisou que Renato Paiva teria mudado seu estilo de jogo durante a passagem pelo Botafogo, adotando uma postura menos ofensiva. Ele também criticou a influência externa, principalmente dos torcedores brasileiros.

John Textor, do Botafogo — Foto: Wagner Meier/Getty Images

“Nós ganhamos títulos, não é? Não tomo as decisões sozinho. Se todo o departamento de futebol vem até mim e fala que precisamos fazer algo sobre o treinador, eu me mexo. Eu não gosto de demitir pessoas. Você viu que o estilo de jogo do time mudou durante 10 jogos. Paiva é um grande treinador, mas ele tem que manter seu estilo de jogo no próximo trabalho. Ele não pode deixar os torcedores reclamando no Brasil (influenciarem), eles são brutais”, analisou.

A resposta de Paiva e a chegada de Ancelotti

Renato Paiva, por sua vez, atribuiu sua saída a uma suposta interferência de Textor em algumas questões de escalação, como a escolha por três volantes contra o Palmeiras. O americano, no entanto, negou veementemente essa acusação, usando como exemplo um caso envolvendo Luís Castro.

“Sobre escolher o time, eu contrato treinadores pela visão de jogo deles. Eu quero que eles implementem essa visão. Quando eu pergunto qual é o plano de jogo, quero que eles se antecipem ao adversário, digam o que vamos fazer e como vamos responder ao rival. Eu leio e respondo ‘ótimo, bom jogo’. Eu não opino”, afirmou Textor. “Depois do jogo, eu geralmente não ligo. Eu não grito. Talvez um dia depois eu o procuro e pergunto ‘o que você aprendeu?’. No primeiro ano (de SAF), perdemos por 2 a 0 para o Santos ainda com Luís Castro e eu fiquei feliz porque foi a primeira vez que vi os jogadores seguirem seu plano”, completou.

Para o lugar de Renato Paiva, o Botafogo contratou Davide Ancelotti. O clube ainda está acertando os detalhes financeiros da rescisão contratual com o português. Há expectativa de que o italiano possa comandar a equipe já neste sábado, no retorno do Brasileirão, contra o Vasco.

Fontes: Redação do ge e “TalkSport” (Inglaterra).


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