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Textor revela que “metade” do elenco campeão de 2024 quis deixar o time.

A visão de John Textor: de olho no Lyon e com o Botafogo em reconstrução

Foto: Alex Pantling - FIFA
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Em uma entrevista recente ao ge, Textor se defendeu das críticas sobre sua atenção ao Lyon ter prejudicado o Botafogo, afirmando que não se arrepende da colaboração entre os dois clubes. O empresário destacou que a parceria da Eagle, sua holding, permitiu que jogadores como Almada, Luiz Henrique e Igor Jesus chegassem ao Glorioso, ajudando o time a conquistar títulos. Segundo ele, esses atletas viam no Botafogo uma porta de entrada para o futebol europeu, e a troca de informações entre os departamentos de scout dos clubes beneficiava ambos.

“A forma como tomávamos decisões na Eagle era de forma colaborativa entre França e Brasil. A maioria dos jogadores que contratamos para o Botafogo era identificada com a possibilidade de ter sucesso na Europa. Essa colaboração foi valiosa para o Botafogo, porque trouxe Almada, Luiz Henrique, Igor Jesus… Eles ajudaram o clube a ganhar campeonatos no Brasil porque a Eagle deu um caminho para eles jogarem na Europa. Quando estou sentado com esse troféu (aponta para a Libertadores), não posso estar arrependido”, explicou o americano.

Problemas no Lyon e mudanças no Botafogo

Desde abril de 2025, Textor não participa mais ativamente das decisões do Lyon, que enfrentou sérios problemas financeiros e correu o risco de ser rebaixado. Essa situação gerou um “cenário de guerra fria” entre os clubes, com rompimentos e cobranças. O CEO do Botafogo, Thairo Arruda, chegou a enviar uma carta ao Lyon afirmando que a venda de jogadores como Jair, Luiz Henrique, Savarino e Igor Jesus foi feita em “condições desfavoráveis” para ajudar o clube francês.

Textor confirmou que o Botafogo é credor do Lyon, mas revelou que o clube brasileiro também tem dívidas com a equipe francesa. “O fato é que o Lyon deve muito dinheiro ao Botafogo, mas o que não é falado é que o Botafogo também deve dinheiro a eles. Eu diria que, grosso modo, Eagle Bidco e Lyon devem algo perto de US$ 160 milhões (R$ 853 milhões) ao Botafogo. E o Botafogo, em valor líquido, deve algo perto de US$ 92 milhões (R$ 492 milhões) para eles”, afirmou.

A temporada de 2025 e a saída de jogadores

O Botafogo não conseguiu repetir o sucesso de 2024, quando conquistou o Brasileirão e a Libertadores. Com um elenco bastante modificado – apenas Barboza, Vitinho, Bastos (lesionado) e Marlon Freitas permaneceram como titulares – a temporada de 2025 é vista por Textor como “um fracasso”. O empresário admitiu que a debandada de jogadores após as conquistas de 2024 foi um fator decisivo.

“Começamos o ano muito mal. Tivemos um treinador (Renato Paiva) com um ótimo sistema de jogo, mas acho que ele o abandonou. Estamos em quarto lugar (no Brasileirão). Estou feliz? Eu disse que seria um fracasso se não vencêssemos nada, então é um fracasso. É difícil remotivar o elenco. Olhe para o Fluminense, você ganha um título grande e todos querem sair. Ganhamos títulos e metade dos jogadores quis sair. É normal. Vá ter um novo desafio e ver a Europa. É difícil, não temos o sistema do Palmeiras com um treinador consistente e academia de base. Eu aceito as críticas, mas não aceito o extremismo”, disse.

Textor também comentou a demora para contratar um novo técnico após a saída de Artur Jorge para o Al-Rayyan, do Catar. O empresário revelou que a busca foi mais difícil do que o esperado. “A pressão este ano é ruim. Eu não tive um mês de relaxamento. Você ganha o Brasileirão e a Libertadores e dizem que a questão do treinador foi um planejamento ruim. Ninguém pode reclamar de perder um técnico (Artur Jorge) naquelas condições bizarras. Eu não queria falar para as pessoas naquela altura porque não contratamos ninguém. Falam que foi planejamento ruim, mas adivinhem! Ninguém aceitou o emprego”, confessou.

Segundo Textor, ele tentou convencer vários treinadores, mas foi recusado por cinco ou seis profissionais, que sabiam da dificuldade de manter o sucesso após um ano tão vitorioso. Ele aceitou a responsabilidade, mas negou que a situação tenha sido resultado de um mau planejamento.

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Escrito por Júlia Lopes

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