Em um gesto de boa-fé e de acordo com informações confirmadas pela imprensa, o acionista majoritário da SAF do Botafogo, John Textor, enviou uma carta à Justiça do Rio de Janeiro se comprometendo a não seguir com os atos societários de uma assembleia geral extraordinária que aconteceu em julho. Na prática, a decisão significa que o clube não será transferido para uma empresa nas Ilhas Cayman.
Textor afirmou que o movimento é uma tentativa de amenizar os conflitos recentes com os outros acionistas da Eagle Football, empresa do qual é dono e que controla as ações da SAF.
“As disputas judiciais estão terminando”, disse Textor, em entrevista ao portal FogãoNET. “Toda essa confusão começou com a ruptura na França, por causa da dificuldade dos políticos do futebol francês, e teve um efeito cascata nas percepções de como as mudanças poderiam ocorrer no Brasil. Mas as coisas estão voltando ao normal.”
A carta, assinada pelo próprio empresário, também garante que não haverá diluição das ações da SAF. A diluição tornaria a Eagle uma sócia minoritária, em vez de majoritária.
O que motivou a disputa
A disputa judicial entre Textor e a Eagle começou quando o empresário, em uma reunião, aprovou a venda de uma dívida do Botafogo para uma nova empresa nas Ilhas Cayman. Além disso, a empresa no paraíso fiscal faria um empréstimo de 100 milhões de euros ao clube. Em contrapartida, receberia como garantia quase todas as receitas da SAF, incluindo os direitos de TV.
A Eagle havia entrado na Justiça do Rio com um pedido para anular as medidas, e agora, com a carta de Textor, o empresário sinaliza que não seguirá adiante com a mudança.
O compromisso é parte da agenda de Textor no Rio de Janeiro, que incluiu acompanhar parte do treino do Botafogo e assistir ao jogo contra o Vasco, pela Copa do Brasil.


