Uma disputa nos bastidores colocou o Botafogo no centro de um intrincado conflito financeiro e jurídico. O empresário John Textor, dono da SAF do clube, trava uma “guerra fria” com a Eagle Football Holdings, empresa que ele mesmo criou, mas da qual foi afastado da gestão. A raiz do problema é um processo de recompra do clube em meio a um processo de revenda.
A gênese do conflito: de parceiros a rivais
A crise entre Textor e a Eagle se aprofundou após a saída do americano da presidência do Lyon, outro clube de sua rede. A Eagle, financiada por empresas como a Ares, Michele Kang (atual presidente do Lyon) e Iconic Sports, sugeriu que Textor recomprasse as próprias ações do Botafogo que estavam vinculadas ao fundo de investimento.
Para adquirir o Lyon, Textor havia cedido 40% das ações da Eagle, usando o Botafogo e o RWDM Molenbeek como garantia. Agora, para reaver o controle total do clube carioca, a Eagle exige que Textor se desvincule do Botafogo durante as negociações, uma medida que a empresa considera essencial para evitar um conflito de interesses e possíveis acusações de fraude.
O Botafogo no meio do fogo cruzado
Internamente, a diretoria do Botafogo e o clube social, presidido por João Paulo Magalhães, interpretaram a exigência da Eagle como uma tentativa de afastar Textor do poder. Uma carta foi enviada à Eagle, defendendo a permanência do empresário. A postura do clube social, que tem poder de veto em qualquer mudança na SAF, é de proteger Textor, o que impede a entrada de um terceiro investidor e complica o cenário.
Diante do impasse, Textor já criou uma nova empresa nas Ilhas Cayman, a Eagle Football Group, com apoio financeiro de Evangelos Marinakis, proprietário do Olympiacos, para levantar fundos e tentar a recompra. O plano, porém, esbarra na resistência da Eagle, que não venderá o clube para ele enquanto a situação não for resolvida judicialmente.
Leia também: SAF do Botafogo é transferida para nova empresa de John Textor
A disputa já se reflete em ações judiciais. A SAF do Botafogo pediu o congelamento das ações da Eagle, enquanto a empresa contra-atacou, exigindo a suspensão de atos de Textor sem sua aprovação.
Auditoria e blindagem do elenco
Enquanto a batalha jurídica e financeira se desenrola, a Eagle enviou representantes ao Estádio Nilton Santos para conduzir uma auditoria, acompanhando a rotina e os relatórios financeiros do clube. A diretoria do Botafogo coopera, na esperança de facilitar um acordo com Textor.
Nos bastidores, o técnico Davide Ancelotti trabalha para blindar o elenco das turbulências externas. A situação é de incerteza, e a tendência é que o futuro do Botafogo seja decidido nos tribunais se as partes não chegarem a um consenso.


