Uma verdadeira “guerra” se instalou entre John Textor e os novos gestores do Lyon. Essa disputa tem levado a uma ruptura completa nas relações entre o Botafogo e o clube francês, apesar de ambos ainda estarem, formalmente, sob a alçada da Eagle Football, a rede multi-clubes criada pelo empresário americano.
Na última quinta-feira, houve um movimento significativo por parte da diretoria francesa para tentar remover Textor do comando de todos os clubes da holding, incluindo o Botafogo e o belga Molenbeek. No entanto, o empresário conseguiu conter a situação. Por enquanto, não há risco de ele deixar o comando do Glorioso. Textor agora se movimenta para criar uma nova empresa — com sede nas Ilhas Cayman — que abrigará o Botafogo, o Molenbeek e o Florida.
Textor anunciou sua renúncia à presidência do Lyon em 30 de junho. Desde então, o clube passou a ser liderado pela bilionária sul-coreana Michele Kang, que também é acionista da Eagle. Em 9 de julho, a Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG) acatou o recurso do Lyon, sob a liderança de Kang, e manteve a equipe na primeira divisão francesa. Na coletiva de imprensa no dia da decisão, a sul-coreana assegurou que Textor não teria mais nenhuma participação no clube, mesmo ele sendo o acionista majoritário da Eagle.
“Tenho 100% de controle sobre a organização. Ninguém mais vai interferir nas nossas decisões”, afirmou a empresária.
Após uma profunda investigação nas contas do Lyon, Kang e outros acionistas se revoltaram com o que consideraram um cenário de descontrole financeiro. Eles decidiram que a simples saída de Textor do dia a dia do clube francês não era suficiente. Essa iniciativa é liderada pela sul-coreana, por antigos conselheiros do Lyon e pelos dirigentes do fundo de investimento Ares, que concedeu a maior parte do empréstimo para Textor adquirir o Lyon em 2022.
Michele Kang e o Ares são acionistas da Eagle. O fundo de investimento ainda não teve seu empréstimo de três anos atrás quitado por Textor. Essa situação escalou para uma ruptura, com o desejo de eliminar qualquer vestígio de ligação com o americano, inclusive em termos societários.

Assim, os atuais controladores do Lyon tentaram assumir o controle de toda a rede de clubes. Eles buscaram, por meio de contratos antigos, formas de destituir Textor da holding.
No Brasil, o movimento esbarrou no clube associativo. Qualquer alteração na SAF alvinegra exige a autorização do sócio-minoritário — o Botafogo social. O presidente João Paulo Magalhães Lins é um aliado de Textor e, juntamente com outros conselheiros, posicionou-se a favor do americano no imbróglio, enviando uma carta de apoio assinada pelos diretores da SAF.
“John Textor pertence ao Botafogo. É até um trocadilho. O Botafogo já teve vários presidentes, grandes dirigentes. Mas é o contrário: estou dizendo que ele pertence ao Botafogo. Se transformou em algo a mais. Por isso digo que qualquer coisa que encoste nele, encosta na gente”, declarou João Paulo Magalhães Lins ao ge, acrescentando:
“Vamos sempre protegê-lo. Houve vários acontecimentos em que a gente pôde demonstrar nossa amizade e lealdade à figura do John Textor, acima de tudo. Não permitimos que nada de ruim acontecesse a ele, pessoa física. É nosso, pertence ao Botafogo.”
Durcesio Mello, ex-presidente do clube, e André Silva, vice-presidente, também participaram desse movimento. O documento foi enviado à Eagle na madrugada desta sexta-feira, numa tentativa de se antecipar a qualquer ação que Kang pudesse tomar para, de fato, tirar Textor do comando do Botafogo.
A situação, por ora, está sob controle. Não há indícios de que o futebol alvinegro sairá das mãos do empresário americano.
Nesta sexta-feira, Textor utilizou o Instagram para celebrar as recentes contratações do Botafogo. O dirigente mencionou a busca do clube pelo sucesso esportivo e a possibilidade de ir ao mercado “sem algemas”.
“Caçando troféus, recrutando sem algemas. Que prazer comandar um clube sem agendas políticas envolvidas”, postou o empresário americano, em uma clara indireta à equipe francesa.
Botafogo e Lyon estão cada vez mais distantes. Antes, os dois clubes mantinham comunicação diária para questões de scout e troca de informações sobre jogadores. Atualmente, não há perspectiva de reaproximação no horizonte, e a tendência é de separação entre as empresas.
Por outro lado, Textor tem se aproximado de Evangelos Marinakis, proprietário do Nottingham Forest, Olympiakos e Rio Ave. Os dois tiveram envolvimento direto nas negociações que trouxeram Jair, Igor Jesus e Danilo, o último reforço do Alvinegro, nesta janela de transferências.


